Ano passado resolvi ver os filmes da Nouvelle Vague que não havia visto. Comecei com Jules et Jim, de François Truffaut. Posso dizer que comecei bem. Nesse filme de Truffaut a guerra é o motivo da separação do casal de três – uma mulher para dois, como diz o título em português. Já no filme de Alain Resnais a guerra é o que provoca o encontro dos amantes, ou o que os une. O enredo gira em torno do encontro amoroso de uma francesa e um japonês na Hiroshima pós-segunda guerra.
A sequência de abertura do filme é uma das coisas mais belas e terríveis que já vi no Cinema. Dois corpos enlaçados, cobertos de cinza, são contrapostos a cenas de Hiroshima, antes e depois da bomba atômica. Quase um documentário. Impossível não lembrar de Noite e Neblina do mesmo Alain Resnais. O texto de Margerite Duras e as imagens captadas pelo cineasta são duras e impressionantes. O contraponto entre a poesia e as cenas são provocativas; convocam a razão e a emoção para agirem em conjunto contra o mesmo inimigo. Um verdadeiro libelo contra a guerra.
O sorriso do casal marca o salto do “documentário” para a “ficção”. A partir de então, somos conduzidos pelas ruas de Hiroshima e pelos encontros e desencontros do casal, numa verdadeira cartografia dos desejos. Hiroshima mon amour é um filme sobre o silêncio, a memória, o amor, a guerra; mas sobretudo sobre o que nos resta e o que nos falta, na guerra e na paz. A guerra, assim como os amores, são contraditórios porque vivem entre o esquecimento e a lembrança e nos definem, para o bem ou para o mal.
Esse ficou sendo o meu segundo filme preferido da Nouvelle Vague até agora. O primeiro é Bande à part, do Godard. Mas falo sobre ele outro dia.
“Hi-ro-shi-ma… Hi-ro-shi-ma. C’est ton nom”
“C’est mon nom. Oui. Tom nom à toi est Nevers. Ne-vers-en-Fran-ce“ “


Jules et Jim tem no Vagalume Rosa.
merchandising a negociar sr.
nah, filantropia com filantropia se paga.