Não ia fazer, mas a Paulinha e o Guilherme fizeram. Deu vontade. A ideia era fazer uma lista com os cinco melhores discos do ano, mas acabei achando legal e cômodo só quatro mesmo. Deve ter ocorrido algum lapso ou injustiça. Desculpaê, lista funciona assim mesmo – diverte quem faz e irrita quem lê.
Aí vai:
Brasil
1 – Tulipa Ruiz – Efêmera
Porque ela tem músicas boas e a melhor voz dos últimos tempos. Tulipa tem fortíssimo apelo pop e não cai naquela vala de solenidades, clichês e sambas da ala feminina da música brasileira. Por isso tudo – e um pouco mais – frequentou meu iPod quase o ano todo.
2 – Marcelo Jeneci – Feito para acabar
Aos 45 minutos do segundo tempo, Jeneci lançou seu esperado disco de estreia. Um disco irmão gêmeo do Efêmera – repare, até os nomes. Assim como o da moça, é recheado de melodias assoviantes, letras suaves e músicas para embalar tardes de domingo com sorriso.
3- Vitor Ramil – Délibáb
Vitor Ramil foi buscar nos poemas do escritor argentino Jorge Luis Borges e nos versos do brasileiro João da Cunha Vargas a aproximação poética/mítica/musical/cultural entre os pampas argentinos e riograndenses. Para isso contou com a participação do violonista argentino Carlos Moscardini. Um dos discos mais bonitos do ano.
4 – Guizado – Calavera
O trompete psicodelico & a música eletrônica de Guizado passearam por timbres e paisagens sonoras guiados pelo universo do dia dos mortos mexicano. Guizado resolveu colocar letras em suas músicas; ganhou em alcance, perdeu em experimentação.
Internacional
1 – Arcade Fire – The Suburbs
Um disco poético. A primeira pérola pop da década. Com Arcade Fire, o indie salta de vez do gueto & lota estádios. Cada música desse The Suburbs é uma prece, um lamento coletivo – belo!
2 – Jimi Hendrix – Valleys of Neptune
Há algo errado com o mestre da guitarra, morto há 40 anos, na lista de melhores de 2010? As últimas músicas gravadas pela Jimmy Hendrix Experience não devem em nada ao restante da obra do maior guitarrista de todos os tempos & bate sem dó na preguiçosa cena atual.
3 – Grinderman – 2
Nick Cave & Warren Ellis. Putz! Violento, barulhento & cheio de distorção. É Nick Cave e não é.
4 – Tame Impala – Innerspeaker
This is Happening, do LCD Soundsystem, bateu na trave pra essa vaga. Mas o Tame Impala levou porque é psicodelico, sessentista, garageiro & solar. Mereceu meu 2010.

E da sua lista eu só ouvi The Suburbs. Hahahaha.
Não conheço mais nada, com exceção de Hendrix, mas não ouço Hendrix geralmente.
Ai, preciso voltar a ouvir mais música pra gente combinar mais os gostos. Rs.
Beijo, beijo.
A Tulipa me faz passar mal. É demais, incrível… ouço quase todos os dias e sempre fica o gosto no ouvido de “quero mais, mais, mais”.